As ruas permaneciam desertas enquanto as folhas douradas pelo calor dançavam as suas valsas ao som do vento estival.
Sentado no banco, quebrava a rotina em pensamentos quotidianos de cabeça apoiada entre as mãos.
Ponderava o que dizer, as razões a apresentar, se iria fazer um pedido de desculpas ou apenas um agradecimento pela atenção. Queria dizer que os motivos eram mais pessoais do que profissionais, mas tal como frequentemente acontece nestes últimos anos, as palavras recusam-se a sair, não têm razão para isso, não encontram quem as receba num abraço apertado, num beijo sentido.
Algum dia o anjo teria que cair, não é? Bater com um som surdo no húmus desta vossa terra... E, caso tenha a sorte ou o azar de sobreviver, continuar a zelar por quem não compreende o quanto isso é precioso.
Olhei para o céu e sorri... Acabou?
Continuo vivo, portanto isto é um "Até Breve" e não um "Adeus".
Chegou o momento do Anjo fechar as asas...

(Foto: "Keep Walking" by Anita GT)
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